sexta-feira, 26 de agosto de 2011


Torradas Queimadas




Quando eu ainda era um menino, minha mãe, ocasionalmente, gostava de
preparar um lanche, na hora do jantar.
Eu me lembro especialmente de uma noite, quando ela fez um lanche
desses, depois de um dia muito duro de trabalho.
Naquela noite longínqua, minha mãe pôs um prato de ovos, linguiça e
torradas bastante queimadas, defronte ao meu pai.
Eu me lembro de ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o
fato. Tudo o que meu pai fez, foi pegar a sua torrada, sorrir para
minha mãe e me perguntar como tinha sido o meu dia, na escola.
Eu não me lembro do que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele
lambuzando a torrada com manteiga e geléia e engolindo cada bocado.
Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando
por haver queimado a torrada.
E eu nunca esquecerei o que ele disse:
- Amor, eu adorei a torrada queimada... só porque veio de suas mãos.
Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite em meu
pai, lhe perguntei se ele tinha realmente gostado da torrada queimada.
Ele me envolveu em seus braços e disse:
- Companheiro, sua mãe teve um dia de trabalho muito pesado e estava
realmente cansada...
Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém.
A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas.
Eu, também, não sou o melhor marido, empregado, ou cozinheiro, talvez
nem o melhor pai, mesmo que tente, todos os dias!
O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas
alheias, escolhendo relevar as diferenças entre uns e outros, é uma
das chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e
duradouros.
Desde que eu e sua mãe nos unimos, aprendemos, os dois, a suprir um as
falhas do outro.
Eu sei cozinhar muito pouco, mas aprendi a deixar uma panela de
alumínio brilhando, ela não sabe usar a furadeira, mas, após minhas
reformas, faz tudo ficar cheiroso, de tão limpo.
Eu não sei fazer uma lasanha de frios como ela, mas ela não sabe assar
uma carne como eu.
Eu nunca soube fazer você dormir, mas comigo você tomava banho rápido,
sem reclamar e brincávamos juntos durante este tempinho, com sua mãe
você chorava, pelo xampu, pelo pentear, etc.
A soma de nós dois monta o mundo que você recebeu e que te apóia, eu e
ela nos completamos.
Nossa família deve aproveitar este nosso universo enquanto temos os
dois presentes.
Não que mais tarde, no dia que um partir, este mundo vá desmoronar,
não vai: novamente, teremos que aprender e nos adaptar para fazer o
melhor.
De fato, poderíamos estender esta lição para qualquer tipo de
relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos, colegas
e com amigos.
Então, filho se esforce para ser sempre tolerante, principalmente com
quem dedica o precioso tempo da vida a você e ao próximo.
Penso que, o grande problema do mundo atual e globalizado, é a
intolerância pelo ser e o correr incansável pelo ter!
Não ponha a chave de sua felicidade no bolso de outra pessoa, mas no
seu próprio.
Veja pelos olhos de Deus e sinta pelo coração dele; você apreciará o
calor de cada alma, incluindo a sua.
As pessoas sempre se esquecerão do que você lhes fez, ou do que lhes disse.
Mas nunca esquecerão o modo pelo qual você as fez sentirem-se.
Precisamos exercitar nossa tolerância, ... não é nada fácil, mas
sempre podemos tentar.


"No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é, e
outras que vão te odiar pelo mesmo motivo”. Ore por elas! 

Inclusive pelos seus inimigos e deixa Deus agir na vida deles e na sua também!

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